Plural Red | Road Movie

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Muito contrariada, aceitou o compromisso. Caía uma chuva miúda. Pediu a última poltrona, janela. Enfiou o rosto na cortina de veludo. Com todos os problemas moendo engrenagem, não queria conversar. Quando o motor ligou, sentiu o incômodo. Pensou na tortura das próximas horas. Aquela trepidação. Tentou achar outra poltrona vaga. Nada, o ônibus estava lotado. Fechou os olhos e passou a ruminar a estrada, seu tanto de cansaço e náusea.
O fim da chuva amornou a viagem. Acomodou-se para um cochilo… Quando se deu conta, a sensação já a tocava em pequenas ondas, uma tensão mínima, uma vontade intensa. Com um certo constrangimento, sentiu a umidade que a nublava. Pagou pra ver, abandonando-se, um pouco mais, naquele sacolejo.
A transformação reivindicou o corpo… Necessidade de expansão, de acomodação, manso e manso, um quase desespero que lhe aquecia as coxas, avermelhava as bochechas. Viu a si mesma, ansiosa, tomada, ingurgitada, intensa, uva madura, gosto de saliva a vinho, sangue na veia, o corpo cada vez mais inclinado intenso, intenso.
O orgasmo feminino consiste em contrações reflexas ritmadas dos músculos perivaginais e perineais que circundam a vagina, a intervalos de 0,8 segundos… leu na Marie Claire, eu acho… Deixava para trás a única vida que conhecia.

 


Publicação da Plural Red Scenarium, em agosto de 2015

Meus livros artesanais…

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Mãos que fazem

O artesão é o indivíduo que pratica arte ou ofício; artífice que exerce sua profissão em oficina própria – seu templo. O artesão é aquele que realiza… Custe o que custar.

Ao artesão não cabem críticas: o artesanato é tecido dos sonhos, de identidade e cultura que reage quando todo o restante parece caminhar para o óbvio.

O artesanato nasce de mãos calejadas, de mãos teimosas, de mãos que conhecem seus afazeres na palma das mãos e de olhos vendados.

Artesanal tem falhas, porque tem alma; sua beleza está justamente nas imperfeições não pré-fabricadas.

De telhas feitas nas coxas às micro esculturas nascidas na ponta de um palito de dentes, o artesanato compõe e se recompõe num caminho místico e inspirado.

Em tempos de made in, sobrevive: exclusivo e único.

Gratíssima, Lunna Guedes, pela obra de arte que faz surgir de suas mãos!

Adriana Aneli

A capa do meu diário… rasgou-se

 

garraGarra sulcada no dia que nasce.


 

a construção da primavera
Adriana Aneli (eu), Lunna Guedes e Mariana Gouveia, lançaram também seus diários: A construção da primavera,  Septum e Cadeados Abertos — parte do Projeto Diário das quatro estações (Ed. Scenarium), impressões recolhidas por quatro escritoras no decorrer de um ano.

 

 

O que eu escrevo em meu diário

 

são notas breves – agridoces – da vida

adriana aneli

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costuraCom agulha, papel e linha…

Todos os livros da Scenarium são confeccionados por Lunna Guedes e Marco Antonio Guedes com papel especial, capas feitas à mão e lombada em costura oriental. A tiragem limitada e numerada empresta exclusividade a cada um dos exemplares.


 

 

Diário das 4 estações: a construção da primavera

As quatro estações do ano

adriana 4

adriana 3

…o Projeto “diário das 4 Estações” teve início no dia 26 de agosto de 2015 e contou com a participação das autoras: Adriana Aneli, Mariana Gouveia e Lunna Guedes que prepararam seus diários, cada um com um subtítulo.

“No Diário das Quatro Estações: a construção da primavera (Ed. Scenarium) trago anotações poetizadas, crônicas sensoriais de uma protagonista amalgamada ao mundo natural”.

Adriana Aneli