L’art du vrai semblante

2017-11-24 18.07.34

Clique.
Com certeza você é melhor pessoa do que eu.

Clique. O recorte.
Cuidar da casa, do marido, dos filhos do casal.

Clique. O melhor ângulo.
— […] outro espécime capaz de dizer as palavras certas, de realizar os movimentos de encaixe, roubar o ar que respiro, o chão que eu piso. Me desabrigar

Clique. A melhor paisagem.
Feita a carvão, a história de personagens femininas se fortalece. Mulheres em rascunho bruto, rancor alcoolizado, dores que se perdem nos próprios labirintos de ideologia e renúncia, dúvidas, abandonos… Revanche em gosto requintado, obras de arte vivas em velhos casarões…

Em quatro atos se forjam as linhas de pensamento em Vermelho. Por dentro, onde a angústia dos personagens pulsa e o desejo vagueia por entre um passado que nunca se realiza e o futuro que não se pode esquecer.

Horácio, Mauro, Dário, Eva, Deborah, Cláudia, Susan, Anne… Os gêmeos, Lucca… estão ali, todos, mas sempre pela metade. Homens e mulheres que cumprem seu papel neste Museé de Grévin: passividade versus ebulição até que a paixão os liberte.

Não por acaso a mais fraca dos personagens é a única que se derrama em surto contínuo. Sem saber qual papel ocupar do lado de fora — e por esta mesma razão —, Cláudia arrasta todo o arredor de clichês para dentro de si — a força necessária para defender seu cúmplice mais vulnerável, o pai, contra sua oponente mais cruel, a mãe.

É neste mosto de mágoa e futilidade, que o aluvião arrasa qualquer esperança de paz entre os autômatos de uma sociedade que a todos modela, e os artistas da imagem que sobrevivem a essa maldição.

Em Vermelho não se pode esperar explicação para tudo. A intuição marca o ritmo deste romance que nunca revela exatamente como algo começa ou se acaba. A autora sabe que é na falta de redenção que sangra nosso vermelho mais denso: quanto ódio /diz /quanto ódio / não sabes / tens / dentro de ti…  

Clique. Um retrato por existir…
A poesia intensa nasce sob nossas máscaras. E cada personagem é um espelho a gritar nossas culpas.

 

Ah, esse sol…

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“N’ o sol da tarde a metáfora das asas é associada à ideia de renascer e apodrecer, eis que, aquilo que morre, deve morrer definitivamente, deixar de ser para que possa surgir o novo: “… viscosa fruta/ se descompõe/ daqui vejo asas em formação/ remota palavra…” Quando leio o sol da tarde sinto uma voz feminina que luta entre nervos estirados e palmas abertas espiando sua libertação, sua música, borboleta…
Uma poeta, uma mulher que decide mergulhar no reconhecimento da sua linguagem profunda. Momento poético em que a experiência é sonoridade, memória sensível.”

Trecho do prefácio do livro ‘o sol da tarde’, d Anahi Celeste Cao

Para adquirir o livro, clique nesse link…

Do não-lançamento do Sol da Tarde…

O sol da tarde é livro de recolhimento. Desenhado nos tons escuros da dor e do medo. Tempo de maturação e rumores.

O ritmo tem a delicadeza da respiração, mas nele, o pensamento está em carne viva. Ali, onde cada palavra é áspera e a memória é pontiaguda, o amor débil e tênue espia.

Na tarde morna, sussurrado entre cortinas de voal, surge o Sol – para logo em seguida se por. Conversa entre mim e aquele que se aventurar por meus versos de penumbra… Sem euforia. E em silêncio.

O sol da tarde está à venda através deste link:

https://pag.ae/bdqzHkc

Um livro que dói,

o sol da tarde
Imagem daqui

“… Gracias doy a la desgracia/Y a la mano con puñal,
Porque me mató tan mal,
Y seguí cantando”

Maria Elena Walsh


 

Há o fato e o labirinto de becos que o encerra. Há o tempo em que calar é reunir palavras, novelo a desenrolar por entre perdas e dores aprisionadas.

Para derrotar o mito é preciso se concentrar em si mesmo. Submergir para chegar ao centro das incertezas… Ali e a sós, ferir e ser ferido.

O sol da tarde é este exercício de estranhamento: poemas — um emaranhado de medo e de morte em fio dourado, a levar às entranhas do apodrecimento e daí novamente à luz…  o abandono de Ariadne.

Neste tempo de adormecimento, a coragem está em romper a superfície calma dos dias, abandonar a casca para gritar, em roupas novas, sobre um passado que ainda sufoca.

 

O sol da tarde (Ed. Scenarium, 2017)

poemas em português
versão em espanhol por Mariela Bello

Sobre ‘a construção da primavera’

Por Thiago Prada

a construção da primavera

“Há um tigre solto dentro de casa. São vários os cômodos em que ele se esconde. Não se podem domesticar os tigres, principalmente o branco. Sinuoso, feroz e imprevisível, ataca quando menos se espera. O medo é meu tigre branco.  Tigres brancos não são encontrados na natureza”

Um diário de alma para registrar as estações de cada tempo, do lado de dentro e de fora, palavras para capturar o tigre branco — um dia olhar para os olhos de iceberg do tigre branco e não se congelar.
Primeiro, o inverno: sobrevivência pura, na crueza do branco, gelo que se parte e nos leva pra longe de todo calor.
Depois, a primavera: a esperança que brota nos gestos do cotidiano, compartilhar a alegria de um sorriso, o tigre se acalma.
Então, o verão: estamos a salvo (eu e a escritora), somos banhados pelo calor e o tigre adormece, quase esquecido pelos pequenos cantos escuros da casa.
Por fim, o outono: o animal desperta, as sombras começam crescer, é preciso a nova luta, novas palavras, mas ah, as palavras são frágeis.
Adriana Aneli registra suas estações, os gestos, os acontecimentos e transformações, mas não se trata de um simples diário, mas uma composição de vida, poemas para sentir e refletir sobre cada passagem de nossas vidas.
Este seu poema acima, entra para a minha de favoritos de todos os tempos.

Saudações à poeta e suas palavras!

As quatro estações do ano

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…o Projeto “diário das 4 Estações” teve início no dia 26 de agosto de 2015 e contou com a participação das autoras: Adriana Aneli, Mariana Gouveia e Lunna Guedes que prepararam seus diários, cada um com um subtítulo.

“No Diário das Quatro Estações: a construção da primavera (Ed. Scenarium) trago anotações poetizadas, crônicas sensoriais de uma protagonista amalgamada ao mundo natural”.

Adriana Aneli

 

Sim, eu também escrevo diário

Deixo acontecimentos me imprimirem. Registrar é se deixar abraçar pela passagem do tempo!

Diário das 4 estações: a construção da primavera

“Diário das quatro estações: a construção da primavera”. Notas, temas diversos em que a metáfora do clima marca o humor da personagem… E é desde este tempo e de seu impacto, que ela contará suas impressões, durante um percurso pelas quatro estações do ano: o crescimento emocional a partir de erros e, também, dos grandes ou pequenos acertos da nossa vida diária.

Adriana Aneli

 

Durante o café eu me ‘expresso’…

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A história começa com um quase desencontro. Chego no horário. E enquanto espero, pesco um pedaço de papel no fundo da bolsa. Nele, rabisco algumas ideias… e mais outras, porque ela se atrasa, e se atrasa tanto, que, ao chegar, já encontra elencadas 50 hipóteses de café, em minicontos.
Foi assim em 2015, com os olhos pregados durante 40 minutos na cauda dupla da sereia, que nasceu Amor expresso. Este Amor, que jamais poderia ser entregue a outra pessoa, senão à artesã Lunna Guedes, e sua oficina de sonhos.
Escrever é colocar óculos novos para enxergar a realidade que já estava ali, mas agora — despertos — fizemos ganhar tons e contornos. Abrir-se a qualquer forma de arte é tornar-se apto a aprender, apreender, compreender a matéria que compõe os cenários, os atos e os desejos.
Amor expresso não é um livro… é um projeto de arte, sensitivity in progress. Aos meus pequenos contos, somam-se janelas, ressignificâncias, pontes para filmes, pinturas, poesias, esculturas, harmonizações, representações.
Amanhã, escreveremos mais um capítulo deste Projeto… com o seminário sobre a história do café no Brasil e no mundo com o barista Leonardo Rocha. A leitura de Felipe Reis dará sabor aos contos do livro. E eu estarei lá, degustando deste diálogo com entusiasmo. Porque as melhores histórias são as que criamos juntos, por trás da fumacinha que escapa da xícara de café…

 


 

‘amor expresso’
Quando?
30/09
Horário? 16h00
Onde? Starbucks Brasil — Alameda Santos, 1054
{próximo a Avenida Paulista}
Link do evento no facebook…


 

As horas estão escritas num futuro impossível

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… borboleta pousa nos pés descalços
sente a doçura do rio
futuro
que escapou por entre frestas da sua jaula.


 

Querida L.,

 

“A imaginar um livro-insano-rebelde, com toda a ‘liberdade’ que me permito”….

Sua carta percorreu, durante toda a semana, o labirinto encantado das minhas ideias. Diversas vezes sentei à frente do papel e esbocei uma resposta, mas suas palavras me calaram; “insano” … “rebelde” … E sem disciplinar minhas mãos, impulsos e fibras direcionaram minha vontade: aceitei mais este desafio.

Porque havíamos combinado que 2017 não seria um ano para meus livros.

Mas ele estava lá. Insano e rebelde, meu exercício pessoal de liberdade, nascido e criado… intensificado… A contar de 2006…

Um livro ainda não publicado é um trabalho contínuo, esperançado.

…Este grito que ecoa por muito tempo dentro da noite escura, desde a janela em que nos debruçamos para entender o mundo até o horizonte miúdo em que os poemas ganham suas próprias asas. E caem… ou aprendem a voar.

Reconhecer o tempo: o nosso, e também o dos outros. E compreender que uma vida inteira é composta por muitas esperas…”

Quais caminhos este livro percorreu até chegar às suas mãos? Traz a alma rasgada, pés descalços, o corpo forjado em ilusões puídas…

Finalmente se entrega à tecelã de sonhos. Sob suas ideias, cinderela ganha brilho e coragem, uma carruagem mágica… A impressão de descobrir-se incrivelmente única sob anos de pó cinzento.

O Sol. A tarde…. Não posso sonhar novembro melhor do que este. É o mês do seu aniversário… As horas estão escritas em um futuro impossível… Mas agora sei que ele chegará.