“veredas”…

Querida L,

 

… A resposta começa mais tarde, neste dia silencioso de junho, em que o agito da cidade vacila. Nem sei ao certo por onde começar a semana, encarar o que resta do mês ou do ano.

Sou apenas eu. Não estamos todos assim… Estamos?

Seu verbo ir, não me parece fácil. Ando sem coragem, e me prendo ao conforto das coisas macias para horas que se provarão rudes. Banho morno, blusão de plush, café quente.

Notícias e desesperanças me parecem coisa antiga, eu te respondo. Leio A Peste, e nos vejo sobreviventes das mesmas páginas, o ciclo renovável da catástrofe. O ontem, o amanhã. Veja, L, que suas casas em pares perderam a batalha contra a segregação: the bosphorus istanbul residence surgiu por toda parte.

Talvez o sol aqueça mais quando o amanhã romper minhas nuvens. Talvez o exercício de ler seu mapa de vivências indique o caminho da poesia que teima em se afastar, nesta época em que aplico leis e normas jurídicas. O sertão é o mundo. E nisso você tem toda razão: é apenas mais um dia… E ele passa.

 

A.