Sobre ‘a construção da primavera’

Por Thiago Prada

a construção da primavera

“Há um tigre solto dentro de casa. São vários os cômodos em que ele se esconde. Não se podem domesticar os tigres, principalmente o branco. Sinuoso, feroz e imprevisível, ataca quando menos se espera. O medo é meu tigre branco.  Tigres brancos não são encontrados na natureza”

Um diário de alma para registrar as estações de cada tempo, do lado de dentro e de fora, palavras para capturar o tigre branco — um dia olhar para os olhos de iceberg do tigre branco e não se congelar.
Primeiro, o inverno: sobrevivência pura, na crueza do branco, gelo que se parte e nos leva pra longe de todo calor.
Depois, a primavera: a esperança que brota nos gestos do cotidiano, compartilhar a alegria de um sorriso, o tigre se acalma.
Então, o verão: estamos a salvo (eu e a escritora), somos banhados pelo calor e o tigre adormece, quase esquecido pelos pequenos cantos escuros da casa.
Por fim, o outono: o animal desperta, as sombras começam crescer, é preciso a nova luta, novas palavras, mas ah, as palavras são frágeis.
Adriana Aneli registra suas estações, os gestos, os acontecimentos e transformações, mas não se trata de um simples diário, mas uma composição de vida, poemas para sentir e refletir sobre cada passagem de nossas vidas.
Este seu poema acima, entra para a minha de favoritos de todos os tempos.

Saudações à poeta e suas palavras!

A capa do meu diário… rasgou-se

 

garraGarra sulcada no dia que nasce.


 

a construção da primavera
Adriana Aneli (eu), Lunna Guedes e Mariana Gouveia, lançaram também seus diários: A construção da primavera,  Septum e Cadeados Abertos — parte do Projeto Diário das quatro estações (Ed. Scenarium), impressões recolhidas por quatro escritoras no decorrer de um ano.

 

 

O que eu escrevo em meu diário

 

são notas breves – agridoces – da vida

adriana aneli

]


costuraCom agulha, papel e linha…

Todos os livros da Scenarium são confeccionados por Lunna Guedes e Marco Antonio Guedes com papel especial, capas feitas à mão e lombada em costura oriental. A tiragem limitada e numerada empresta exclusividade a cada um dos exemplares.


 

 

Diário das 4 estações: a construção da primavera

As quatro estações da minha escrita

“O pintor é feito um livro
que não tem fim”

Fernando Diniz

 


O inverno é recolhimento:

inverno

A primavera, ensaio:


primavera

Verão é ousadia:


verão

Outono, serenidade:

outono

 


Pinturas elaboradas pelos artistas do Engenho de Dentro (Rio de Janeiro) que fazem parte do Museu de Imagens do Inconsciente: criado em 20 de maio de 1952, no Centro Psiquiátrico Pedro II, por iniciativa da psiquiatra Nise da Silveira.

O crítico de arte Mário Pedrosa foi um entusiasta dos trabalhos desenvolvidos pelos internos, encontrando verdadeiras qualidades artísticas nas pinturas apresentadas.

A exposição brasileira foi levada ao II Congresso Nacional de Psiquiatria, em Zurique, intitulando-se “”A esquizofrenia em imagens””; o tema principal do congresso era o estado atual de nossos conhecimentos sobre o grupo das esquizofrenias e foi inaugurada pelo professor Carl Gustav Jung, na manhã do dia 2 de setembro de 1957.


 

Diário das 4 estações: a construção da primavera
Ed. Scenarium

As quatro estações do ano

adriana 4

adriana 3

…o Projeto “diário das 4 Estações” teve início no dia 26 de agosto de 2015 e contou com a participação das autoras: Adriana Aneli, Mariana Gouveia e Lunna Guedes que prepararam seus diários, cada um com um subtítulo.

“No Diário das Quatro Estações: a construção da primavera (Ed. Scenarium) trago anotações poetizadas, crônicas sensoriais de uma protagonista amalgamada ao mundo natural”.

Adriana Aneli