Meus livros artesanais…

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Mãos que fazem

O artesão é o indivíduo que pratica arte ou ofício; artífice que exerce sua profissão em oficina própria – seu templo. O artesão é aquele que realiza… Custe o que custar.

Ao artesão não cabem críticas: o artesanato é tecido dos sonhos, de identidade e cultura que reage quando todo o restante parece caminhar para o óbvio.

O artesanato nasce de mãos calejadas, de mãos teimosas, de mãos que conhecem seus afazeres na palma das mãos e de olhos vendados.

Artesanal tem falhas, porque tem alma; sua beleza está justamente nas imperfeições não pré-fabricadas.

De telhas feitas nas coxas às micro esculturas nascidas na ponta de um palito de dentes, o artesanato compõe e se recompõe num caminho místico e inspirado.

Em tempos de made in, sobrevive: exclusivo e único.

Gratíssima, Lunna Guedes, pela obra de arte que faz surgir de suas mãos!

Adriana Aneli

Quem viaja tem histórias para contar

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“Quem ama  a áurea moderação, vai seguro,
Evita os escombros da casa destruída,
Evita sóbrio o invejável palácio.

Amiúde a tempestade açoita mais fortemente
O pinheiro, e as torres elevadas ruem pesadamente
Enquanto os relâmpagos ferem o topo das montanhas”

(Horácio, Carm, II, 10)

amor expresso

A guerra acontece antes de sair de casa. Segue pelas ruas de São Paulo, debaixo de chuva, numa tormenta que se desejava há meses. E foi assim mesmo, com dificuldades no trânsito e roupas molhadas, que ganhamos o privilégio de uma tarde entre amigos, respirando um ar renovado.

Chegando aos poucos, ocupamos nossos lugares. Logo ele veio, Leonardo Rocha, para o exercício de degustação.  Entre copinhos de leite, suco, essências e  chocolates, aprendemos sobre a história do café, a torra dos grãos, a qualidade do plantio, o modo de preparo, o ideal de armazenamento.

Já havíamos exercitado lembranças olfativas e  estímulos do paladar quando prensas francesas trouxeram a estrela da festa: o café.

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É verdade que assustou o barista a ligeireza com que pedíamos por mais um pouco, e mais um pouco, e, que um copo de café foi parar inteiro num dos exemplares da edição especial de Amor Expresso que Lunna Guedes preparou para o evento… Mas apesar disto, ou precisamente por isto, nasceu um clima agradável, a comunhão que Felipe Reis completou com a leitura dos contos.

Compartilhei, emotiva, de todas as reações. Rimos juntos e  também nos compadecemos da sorte de alguns personagens –  achando mesmo que a escritora foi cruel com alguns deles. Mea culpa.

As horas passaram depressa e a chuva aumentou , emprestando seu toque dramático aos sobreviventes deste encontro.  Nos despedimos. Eu me senti preenchida deste momento miúdo,  simples e calmo, onde o diálogo nasceu e fluiu com naturalidade ao redor das mesas.

Só quem se arriscou, sabe.

Durante o café eu me ‘expresso’…

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A história começa com um quase desencontro. Chego no horário. E enquanto espero, pesco um pedaço de papel no fundo da bolsa. Nele, rabisco algumas ideias… e mais outras, porque ela se atrasa, e se atrasa tanto, que, ao chegar, já encontra elencadas 50 hipóteses de café, em minicontos.
Foi assim em 2015, com os olhos pregados durante 40 minutos na cauda dupla da sereia, que nasceu Amor expresso. Este Amor, que jamais poderia ser entregue a outra pessoa, senão à artesã Lunna Guedes, e sua oficina de sonhos.
Escrever é colocar óculos novos para enxergar a realidade que já estava ali, mas agora — despertos — fizemos ganhar tons e contornos. Abrir-se a qualquer forma de arte é tornar-se apto a aprender, apreender, compreender a matéria que compõe os cenários, os atos e os desejos.
Amor expresso não é um livro… é um projeto de arte, sensitivity in progress. Aos meus pequenos contos, somam-se janelas, ressignificâncias, pontes para filmes, pinturas, poesias, esculturas, harmonizações, representações.
Amanhã, escreveremos mais um capítulo deste Projeto… com o seminário sobre a história do café no Brasil e no mundo com o barista Leonardo Rocha. A leitura de Felipe Reis dará sabor aos contos do livro. E eu estarei lá, degustando deste diálogo com entusiasmo. Porque as melhores histórias são as que criamos juntos, por trás da fumacinha que escapa da xícara de café…

 


 

‘amor expresso’
Quando?
30/09
Horário? 16h00
Onde? Starbucks Brasil — Alameda Santos, 1054
{próximo a Avenida Paulista}
Link do evento no facebook…