Meus livros artesanais…

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Mãos que fazem

O artesão é o indivíduo que pratica arte ou ofício; artífice que exerce sua profissão em oficina própria – seu templo. O artesão é aquele que realiza… Custe o que custar.

Ao artesão não cabem críticas: o artesanato é tecido dos sonhos, de identidade e cultura que reage quando todo o restante parece caminhar para o óbvio.

O artesanato nasce de mãos calejadas, de mãos teimosas, de mãos que conhecem seus afazeres na palma das mãos e de olhos vendados.

Artesanal tem falhas, porque tem alma; sua beleza está justamente nas imperfeições não pré-fabricadas.

De telhas feitas nas coxas às micro esculturas nascidas na ponta de um palito de dentes, o artesanato compõe e se recompõe num caminho místico e inspirado.

Em tempos de made in, sobrevive: exclusivo e único.

Gratíssima, Lunna Guedes, pela obra de arte que faz surgir de suas mãos!

Adriana Aneli

Sobre ‘a construção da primavera’

Por Thiago Prada

a construção da primavera

“Há um tigre solto dentro de casa. São vários os cômodos em que ele se esconde. Não se podem domesticar os tigres, principalmente o branco. Sinuoso, feroz e imprevisível, ataca quando menos se espera. O medo é meu tigre branco.  Tigres brancos não são encontrados na natureza”

Um diário de alma para registrar as estações de cada tempo, do lado de dentro e de fora, palavras para capturar o tigre branco — um dia olhar para os olhos de iceberg do tigre branco e não se congelar.
Primeiro, o inverno: sobrevivência pura, na crueza do branco, gelo que se parte e nos leva pra longe de todo calor.
Depois, a primavera: a esperança que brota nos gestos do cotidiano, compartilhar a alegria de um sorriso, o tigre se acalma.
Então, o verão: estamos a salvo (eu e a escritora), somos banhados pelo calor e o tigre adormece, quase esquecido pelos pequenos cantos escuros da casa.
Por fim, o outono: o animal desperta, as sombras começam crescer, é preciso a nova luta, novas palavras, mas ah, as palavras são frágeis.
Adriana Aneli registra suas estações, os gestos, os acontecimentos e transformações, mas não se trata de um simples diário, mas uma composição de vida, poemas para sentir e refletir sobre cada passagem de nossas vidas.
Este seu poema acima, entra para a minha de favoritos de todos os tempos.

Saudações à poeta e suas palavras!

A capa do meu diário… rasgou-se

 

garraGarra sulcada no dia que nasce.


 

a construção da primavera
Adriana Aneli (eu), Lunna Guedes e Mariana Gouveia, lançaram também seus diários: A construção da primavera,  Septum e Cadeados Abertos — parte do Projeto Diário das quatro estações (Ed. Scenarium), impressões recolhidas por quatro escritoras no decorrer de um ano.

 

 

A cidade da minha escrita

 

A cidade constrói palavras… assombro de cal e cimento.

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São Paulo me assustava… eu queria mesmo era fugir daqui. Até que aprendi sua linguagem.

Neste diálogo, contei com a ajuda dos artistas de rua, daqui e do mundo todo, com seu grafite, suas danças, suas músicas. Criei a Tempestade Urbana, a que se somaram vários colaboradores. Hoje, somos um grupo voltado a promover a arte. Gente que precisa cantar, dançar, fazer poesia, música, esculturas, cinema… para voltar a respirar num cenário tão hostil.

Somos de várias gerações, de vários lugares, com visões múltiplas – como deve ser!

Advogados, professores, editores, dentistas, médicos, escritores, jornalistas, psicólogos, palhaços, economistas, comerciantes, Djs, artistas gráficos, estudantes, grafiteiros, bancários, artesãos, agricultores, pais e mães que pintam, que sonham, que amam.

Somos um grupo em formação. Artistas mambembes. Gente com vontade de deixar a vida mais quente, mais bonita e iluminada.

Um espaço que é de todos… de gente que arranca música do asfalto e alegria dos muros… é o espaço de gente que divide e multiplica… de gente que sonha.

Argemiro, o Puf Capitão Caverna, é um dos meus parceiros neste autoconhecimento. A ele, meu agradecimento e homenagem!

 


Diário das 4 estações: a construção da primavera
Ed. Scenarium.

O que eu escrevo em meu diário

 

são notas breves – agridoces – da vida

adriana aneli

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costuraCom agulha, papel e linha…

Todos os livros da Scenarium são confeccionados por Lunna Guedes e Marco Antonio Guedes com papel especial, capas feitas à mão e lombada em costura oriental. A tiragem limitada e numerada empresta exclusividade a cada um dos exemplares.


 

 

Diário das 4 estações: a construção da primavera

As quatro estações da minha escrita

“O pintor é feito um livro
que não tem fim”

Fernando Diniz

 


O inverno é recolhimento:

inverno

A primavera, ensaio:


primavera

Verão é ousadia:


verão

Outono, serenidade:

outono

 


Pinturas elaboradas pelos artistas do Engenho de Dentro (Rio de Janeiro) que fazem parte do Museu de Imagens do Inconsciente: criado em 20 de maio de 1952, no Centro Psiquiátrico Pedro II, por iniciativa da psiquiatra Nise da Silveira.

O crítico de arte Mário Pedrosa foi um entusiasta dos trabalhos desenvolvidos pelos internos, encontrando verdadeiras qualidades artísticas nas pinturas apresentadas.

A exposição brasileira foi levada ao II Congresso Nacional de Psiquiatria, em Zurique, intitulando-se “”A esquizofrenia em imagens””; o tema principal do congresso era o estado atual de nossos conhecimentos sobre o grupo das esquizofrenias e foi inaugurada pelo professor Carl Gustav Jung, na manhã do dia 2 de setembro de 1957.


 

Diário das 4 estações: a construção da primavera
Ed. Scenarium

As quatro estações do ano

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…o Projeto “diário das 4 Estações” teve início no dia 26 de agosto de 2015 e contou com a participação das autoras: Adriana Aneli, Mariana Gouveia e Lunna Guedes que prepararam seus diários, cada um com um subtítulo.

“No Diário das Quatro Estações: a construção da primavera (Ed. Scenarium) trago anotações poetizadas, crônicas sensoriais de uma protagonista amalgamada ao mundo natural”.

Adriana Aneli

 

Sim, eu também escrevo diário

Deixo acontecimentos me imprimirem. Registrar é se deixar abraçar pela passagem do tempo!

Diário das 4 estações: a construção da primavera

“Diário das quatro estações: a construção da primavera”. Notas, temas diversos em que a metáfora do clima marca o humor da personagem… E é desde este tempo e de seu impacto, que ela contará suas impressões, durante um percurso pelas quatro estações do ano: o crescimento emocional a partir de erros e, também, dos grandes ou pequenos acertos da nossa vida diária.

Adriana Aneli