Um livro que dói,

o sol da tarde
Imagem daqui

“… Gracias doy a la desgracia/Y a la mano con puñal,
Porque me mató tan mal,
Y seguí cantando”

Maria Elena Walsh


 

Há o fato e o labirinto de becos que o encerra. Há o tempo em que calar é reunir palavras, novelo a desenrolar por entre perdas e dores aprisionadas.

Para derrotar o mito é preciso se concentrar em si mesmo. Submergir para chegar ao centro das incertezas… Ali e a sós, ferir e ser ferido.

O sol da tarde é este exercício de estranhamento: poemas — um emaranhado de medo e de morte em fio dourado, a levar às entranhas do apodrecimento e daí novamente à luz…  o abandono de Ariadne.

Neste tempo de adormecimento, a coragem está em romper a superfície calma dos dias, abandonar a casca para gritar, em roupas novas, sobre um passado que ainda sufoca.

 

O sol da tarde (Ed. Scenarium, 2017)

poemas em português
versão em espanhol por Mariela Bello

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