Nessa manhã de outubro, respiro!

missiva de primavera

Querida L.,

Nestes dias em que exigências cotidianas se renovam em atropelo, suas linhas chegam com um aviso: preciso aprender a administrar o tempo.

Percebo que desde segunda-feira nada mais fiz do que cumprir compromissos. Ponto. Enquanto você capturava a cor do céu, o clima, marcas deixadas no asfalto desta mesma cidade que habito, eu estava alheia; deste início de primavera, chuvosa e fria, extraí nada além de informações sobre a roupa que eu deveria usar para sair de mim.

“Ainda somos os mesmos — avessos a mudança, ao novo…”

Recolho impressões de ontem para compartilhar com você a nostalgia dos clássicos… Mas confesso também minha curiosidade sobre o novo.

Fui a dois restaurantes, com cartas distintas: no almoço, um desfile de clássicos; à noite, a ousadia de pratos autorais. A constatação, ainda esta vez, de que amamos aquilo que é bem feito, tradicional ou novo – é neste prazer que nos refugiamos.

Ainda com a sensação de ingredientes, texturas, aromas e montagens na memória, acabo por concluir que cada prato, cada música, cada poema, cada livro… e não seus autores é que contam. Talvez por acreditar que a obra ao nascer ganha o mundo como ser completo e que, independente do nome do seu criador, começa em nós sua própria história.

Você me pergunta se sirvo a poesia? A poesia esfria no bule enquanto as inúmeras urgências de hoje me chamam. Espero que a inspiração me perdoe a falta de modos, e possa, em sua generosidade, voltar a me receber em breve.

com amor,

AA

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